terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Ofertas e mais ofertas no Bazar !


Acabo de completar os posts do mês de abril de 2.004. Já estavam lá o conto Um pontinho no nariz e um pouco de memórias.
Agora há o polêmico post sobre a tradição das Matanças, uma tradução maluca que fiz de um post de um blog sueco, com suas conseqüências, um Ensaio infame sobre Mahler e muito mais.
Tudo grátis.
Aliás, mais do que grátis. Tem até post que ensina a ganhar dinheiro.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Benfica x Porto


Tudo pronto para a comemoração de mais uma vitória do Porto.

O cachecol que meu amigo Asulado me mandou, nunca chegou. Tratei de procurar um em Bragança, no começo do ano. Nas lojas dos chineses havia uns baratinhos, mas muito fajutos. Na Casa do Portista encontrei esse aí, bonito mas caro pra burro (10 euros). É duro ser torcedor em Portugal.
Vai daí que o jogo foi monótono, chato mesmo. E, de repente, Vitor Baía resolveu aceitar um chute quase do meio do campo. Fazer o quê.
Cadê a bola?
Você vê a bola? Vitor Baía também não viu.

Continuamos na liderança. Não deixa de ser um consolo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Maioridade


Hoje, enfim, chego aos 18 anos.
Isso se o pano de fundo for o crivo de Eratóstenes.

Crivo de Eratóstenes

Rebajas en el Bazar


Acabei de trazer para cá todos os posts de março de 2.004 do meu antigo blog no Mblog, inclusive um em que resolvo usar o neologismo spasso no lugar de post. Agora se vê que desisti da ideia.
Mas, entre os 28 posts desse mês, há alguns que penso serem de interesse:
três pequenos poemas e um conto. Diálogos (não tão) absurdos, comentários políticos dotados de algum caráter profético. E por aí vai.
Divirta-se porque é liquidação.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Felicidade é


descobrires que podes editar qualquer post de teu blog apenas com um clique no lápis abaixo do dito cujo post.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

S.O.S.


Algum usuário/utente do Blogger pode dizer-me como é que faço pra editar um post antigo (anterior aos 300 últimos) ?

Atualização: No Ajuda do Blogger encontrei isto:
Na página Editar postagens, você só pode exibir as 300 postagens mais recentes de um blog. Até que esse problema seja solucionado, você pode acrescentar &selNumPosts=XXX ao final do URL, onde XXX representa o número de postagens que você gostaria de exibir. Observe, no entanto, que você sempre pode localizar postagens antigas para edição usando o recurso de pesquisa da página Editar postagens ou os links de edição rápida dos arquivos.
Tudo bem. Só não sei como acrescentar xpto ao final do URL. Além do mais, o recurso de pesquisa não existe na página Editar postagens. Também não faço a mínima idéia sobre quê serão os tais links de edição rápida dos arquivos.
Isso é o que se chama estar no mato sem cachorro.

Atualização: Descobri os links de edição rápida. São esses lápis no final de cada post.
Bingo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Liquidação no Bazar


Coloquei, hoje, neste blog, os posts de fevereiro de 2.004, que tinham sido publicados no Mblog e não constavam aqui no Blogger.
Estão em oferta. Confira.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Viva!


Minha irmã foi operada hoje. E era benigno. Como tudo está pra lá de bom, nada como cantar junto com Marisa Monte o doce samba de Candeia: Preciso me encontrar. Canta com a gente.

clique aqui e cante com a gente

(Powered by Castpost)

domingo, 12 de fevereiro de 2006

100 anos


No início do século passado, em uma aldeia do nordeste de Portugal chamada Passos, na região da Lomba, uma jovem, de nome Amélia, deixou-se encantar por um rapaz bem apessoado, de boa família. Chamava-se João. Sabe-se lá aonde e como, foram às vias de facto. Essa relação, um tanto escondida, persistiu o suficiente para gerar dois garotos. O pai, sem querer constituir família com a jovem, partiu para o Brasil. Ela, fazer o quê, registrou os meninos como seus filhos e de pai incógnito. Deu-lhes nomes compostos: Agripino Santelmo e Alberto Augusto. Naquele tempo, não se definia na certidão de nascimento o nome completo do recém nascido. Davam-se apenas os pré-nomes. Mais tarde o indivíduo comporia seu nome completo, acrescentando aos pré-nomes os sobrenomes de mãe e de pai.
O caçula, nascido a 13 de fevereiro de 1.906, desde logo mostrou independência e pensamento próprio. Quando toda a gurizada partia para o campo, pela manhã, Alberto levava às costas mochila com batatas cozidas. Os outros zombavam dele. Achavam aquilo um tanto ridículo, pelos costumes da época e do lugar. Quanto a ele, só se preocupava em que não lhe dessem tapas às costas. Pra não amassar as batatas.
Só que o garoto não queria ficar limitado à vida do campo. E queria, também, ir à procura do pai.
Aos catorze anos, conseguiu que um tio que morava no Rio de Janeiro lhe enviasse uma carta autorizando sua ida ao Brasil. Documento necessário para que ele conseguisse viajar.
E lá se foi. Só.
No Rio de Janeiro procurou o pai. Constatou que este já constituíra família no Brasil. E não quis reconhecê-lo como filho.
Sua mãe, por sua vez, casou-se na aldeia com o Zé Grande, português que vivera no Brasil, em Niterói, e cá tivera mulher e três filhos. Tendo ficado viúvo, retornou com os filhos à aldeia de origem. Com Amélia, mãe de Alberto, teve mais três filhas.
Alberto Augusto, apesar de corresponder-se com a mãe até a morte dela, optou por não utilizar-se de sobrenomes de família. Adotou o Alberto Augusto como nome completo. Augusto transformou-se em sobrenome.
Radicou-se em Santos, no estado de São Paulo, e tornou-se baptista. Mais: formou-se em Teologia e começou a viver sua vocação de pastor.
Sua intenção era a de exercer seu ministério em lugares inóspitos. Foi ser pastor em Manaus, no ano de 1.934. Sua saúde (ou a falta dela) o fez retornar a Santos. Passou a ser pastor da Primeira Igreja Baptista de Santos, cargo que exerceu durante vinte e cinco anos.
Faleceu, vítima de derrame cerebral fulminante, em 26 de junho de 1.961, aos 55 anos. A cidade guardou sua memória atribuindo seu nome a uma rua. O estado de São Paulo também deu seu nome a uma escola de ensino fundamental.
Alberto Augusto escreveu vários livros, todos de caráter religioso. Durante anos publicou – em O Jornal Baptista – uma coluna chamada Meu Bazar de Idéias. Mais tarde reuniu em livro várias de suas crônicas. Queria dar ao livro o título Idéias do Meu Bazar. A editora o publicou como Meu Bazar de Idéias, mesmo nome da coluna semanal.
Esse homem teve três filhos. Penso que não os queria ter. Parece-me que preferia dedicar-se totalmente a sua missão evangélica. Mas a esposa, que o amava infinitamente e o levava a fazer o que ela queria fingindo sempre obedecê-lo (como fazem quase todas as mulheres), teve uma filha, depois outra, e – quando tudo parecia encerrado nesse capítulo – escapou um menino, vejam só.
Foi assim que nasci. Fruto de esperteza feminina combinada com falha de planejamento familiar.
Talvez por isso mesmo, não menosprezo jamais a capacidade das mulheres de levar os homens no bico. Com todo o amor, claro. E tenho uma relação de desconfiança irônica com qualquer tipo de planejamento.
Alberto Augusto e eu. Temos muito pouco em comum. Descontado o facto de que eu não existiria se ele não tivesse cedido seus espermatozóides, sobra pouco.
Sua morte prematura me deixou a frustração de ter convivido muito pouco com ele, já na fase adulta. Se ele tivesse vivido mais, teríamos tido brigas homéricas. Mas desconfio que chegaríamos a algum acordo. Ele era bom demais pra que isso não acontecesse.
Paciência. A mim, resta a lembrança de um homem atormentado, tenso, de integridade absoluta. Inteligente e culto. Um pouco ingênuo. Mas pérola que não se encontra em qualquer concha.

Segunda-feira, agora, minha irmã (Édipo puro) vai ser operada. No centenário do pai. Isso só pode ser bom sinal. Beijinhos, mana. Papai estaria cuidando de ti, se nossas fantasias fossem realidade.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Prazer


Quando se aproxima o momento de ela chegar, vou ficando excitado. Quantas possibilidades de prazer. Imagino mil coisas.
Ela é deliciosa.
Não vejo a hora de ela se instalar em minha casa e me encher de satisfação.
Ela me dá paz.



Como gosto da noite de sexta-feira!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

O Plano B


Dia desses, almoçava com colega de trabalho. Ele, agitadíssimo, descrevia o carnaval que faria no ambiente de trabalho caso obtivesse a liminar em Mandado de Segurança na qual depositava todas as suas esperanças de solução de seus problemas pessoais e familiares.
A certa altura, a euforia dele tendo feito pequena pausa, perguntei:
- E você tem um plano B?
- Nem quero pensar nisso, ele emendou, de voleio.
Pensei em argumentar que o juiz poderia perfeitamente negar a liminar. Em tempo, percebi que não havia clima para tal ponderação.

Mas passei a pensar sobre o tal Plano B. Não pra ele, evidente. Não tenho elementos pra isso. Mas quanto a mim. Qual o papel do plano B em minha vida.

Fiquei surpreso ao constatar que quase sempre na vida fui levado a viver o Plano B. E percebi isso sem nenhum sentimento de derrota, sem qualquer mágoa. Penso que isso talvez se deva ao facto de que temos desejos sempre mais amplos e maiores que nossas possibilidades concretas. O que não significa trocar algo bom por algo podre. Não. Quem sabe o objetivo primeiro, o Plano A, não fosse desastroso. Ninguém sabe.

Quando pequeno, meu desejo secreto era ser jogador de futebol. Jogava botão em clima de sonho. Futebol de praia era sempre um desafio. Avaliação de possibilidades.
Mas... tinha um pai severo, pastor baptista quando ainda não tinham inventado os Atletas de Cristo. Quando ser jogador de futebol e evangélico eram coisas mutuamente exclusivas. Quando ainda não havia Kaká e seus gols dedicados ao Senhor.
Resumo: adotei o plano B. Fui ser engenheiro.

Lá pelo início do quarto ano de engenharia percebi que não tinha a mais remota vocação pra profissão. E enveredei por outro plano B: Filosofia.

Quando já ia me dando conta de que Filosofia era algo reservado a abastados, mergulhei na militância política, na busca de um socialismo a ser implantado no Brasil. Desta vez o plano B me foi imposto contra minha vontade: três anos de cadeia e dez anos de direitos políticos cassados.

De volta às ruas, como Filosofia não enchia barriga, fui trabalhar em Matemática, como professor universitário. Durante minha pós-graduação, percebi que os cursos da área de computação eram muito mais fáceis do que os da Matemática Pura. Como precisava acumular créditos para o Mestrado, comecei a fazer um monte deles. Os milicos não queriam mesmo que eu continuasse na USP. Paciência. Plano B, de novo. Pensei: o que que eu sei, que leve alguém a pagar por isso? Computação, claro.
E dá-lhe plano B. Foram uns vinte anos de trabalho na área de Sistemas. Puro plano B.

E no amor, então. Tenho a sensação, quase certeza, de que todas as mulheres de minha vida me viram como plano B. Não. Não se trata de paranóia ou algo assim. É simples: para parodiar Groucho Marx, eu jamais me casaria com uma mulher cujo grande ideal na vida fosse casar comigo. Prefiro mulheres inteligentes.

Escreveria páginas e mais páginas sobre meus planos B. Quando resolvi ter filhos, por exemplo, comecei a desenvolver todo um programa de ensino para que eles fossem educados em casa. Como aconteceu de os amigos quase me matarem de tanta crítica, parti para o plano B: escola convencional e não se fala mais nisso. Hoje meus filhos são pessoas normais. Diria que bem acima da média, não fosse isso corujismo explícito.

Outro exemplo: todo mundo gostaria de atravessar a vida sem precisar de psicanalista (quer dizer: todo mundo não, só os normais, como diria Nelson Rodrigues, em outro contexto). Eu também. Mas não deu. A certa altura do campeonato tive de recorrer ao plano B, que no caso chama-se Luis Meyer. Cinco anos de quatro sessões por semana. Fantástico plano B. Experiência maravilhosa. Aliás, o único defeito do Meyer é ser amigo do FHC. Mas algum defeito ele tinha de ter, né mesmo?

E dá-lhe plano B. Agora mesmo: meu grande sonho é ir morar em Portugal. Mais especificamente no distrito de Bragança, perto de minha aldeia ou mesmo nela, se possível.

Será possível? Ou terei de adotar outro plano B?

Aceito sugestões.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Supremowski


O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá contar com mais um integrante indicado pelo inefável Lulla. Trata-se do desembargador Enrique Ricardo Lewandowski. O companheiro Lulla foi aluno de Lewandowski pai, no SENAI. Da mesma forma, madame Lewandowski é amiga da primeira-dama Marisa Quem-nunca-comeu-melado-quando-come-se-lambusa Letícia.
E daí?, dirá você.
Sei lá, digo eu. Só estranho o ensurdecedor silêncio da mídia a respeito das relações de – digamos – proximidade entre Lulla e Lewandowski. Só consegui ver referência a isso na coluna do Cláudio Humberto.
Quanto a nós, continuaremos lewandowski no rabowski.
Não tenha dúvida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006


A mim, o que mais chamou a atenção em Dois Filhos de Francisco (sobre a vida da dupla Zezé de Camargo e Luciano) foi que – em nenhum instante do filme – é feita qualquer referência à qualidade da música composta/interpretada pela dupla. Parece que a única preocupação de pai e de filhos sempre foi a sobrevivência. Grana. Bufunfa. Dindim.

*****


Depois de redigir a nota acima, fui ao Houaiss para ver sinônimos de dinheiro. Transcrevo:

algum, arame, bagaço, bagalhoça, bagarote, bago, baguines, bagulho, bala, barro, bazaruco, bilhestre, bilhestro, bolsa, bomba, boró, borós, broça, brocha, cabedal, cacau, calique, cantante, capim, capital, caraminguá, carcanhóis, caroço, cascalho, cédula, changa, chapa, chavo, chelpa, cheta, china, chinfre, cobre, cobres, cominho, conques, contado, coscorrinho, cunfres, cunques, cuprém, erva, estilha, falépia, felpa, ferros, fundos, gadé, gaita, gás, gimbo, grana, guines, guino, guita, jabaculê, jibungo, jimbo, jimbongo, jimbra, joão-da-cruz, lã, legume, lençol, luz, maco, maquia, marcaureles, marco, massa, metal, milho, moeda, mosca, mufunfa, música, narta, níquel, nota, numerário, numo, óleo, ouro, pacotes, parnau, parné, parneque, parni, parrolo, pasta, pataca, pataco, patacos, pecúnia, pecuniária, pelga, pila, pilcha, pilim, prata, quido, roço, tacho, taco, teca, tostão, tubos, tuncum, tusta, tusto, tutu, unto, vento, verba, vintém, zergulho, zinco.

Se reparar no final da letra M, você verá que música também é sinônimo de dinheiro. Agora entendi o filme.

*****


Tá certo que hoje se comemora a posse de Juscelino Kubitschek de Oliveira na Presidência da República. 50 anos.
Pra mim, mais importante é que hoje Celina faria 93 anos. Pena que é faria.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Creio em Deus


Desde que Ele seja minha Perplexidade.
Desde que seja meu Espanto.

Desde que Ele seja o Impulso
Que faz Susana doar pedaço de si
Para que Elsa tenha Vida.
(e quantas outras Susanas doam de si por amar)

Desde que ele seja o Acaso,
Que faz a Vida existir por milagre.

Desde que Ele seja o Instinto,
Senhor de nossos atos cotidianos,
Seja a Audácia do ser humano
Que ergue Catedrais,
Compõe Hinos.

Desde que,
Desde que,
Deus de quê.

sábado, 28 de janeiro de 2006

No tempo da solidariedade


No começo de 1.967 (é isso, faz 39 anos), eu dava aulas particulares de matemática e levantava uma grana muito razoável. Seria meu último ano no curso de engenharia eletrônica e eu já estudava para o vestibular de filosofia. Mas aulas particulares já me cansavam. Queria dar aulas em cursinho preparatório para vestibulares. Os tais cursinhos tinham panelinhas fechadas. Era difícil entrar nelas.
Belo dia, vi um anúncio em jornal para dar aulas num tal de CAPI Vestibulares. Fui até lá. O cursinho ficava em um prédio pra lá de antigo, no centro de São Paulo, esquina de São João com Anhangabaú. O dono do cursinho, o Labibe, me explicou que se tratava de turma com aulas aos sábados e domingos, pra alunos que não dispunham de outro horário livre. As aulas de matemática seriam, todas, aos domingos pela manhã. Como a cavalo dado não se olham os dentes, aceitei.
Foi meu primeiro trabalho com carteira assinada. Tudo registradinho, bonitinho.
Vez em quando, o turco, como era conhecido o dono do cursinho, me pedia pra substituir algum professor durante a semana, em alguma turma regular. E, assim, fui entrando devagar no mundo dos cursinhos.
Até que o Tomaselli, que dava quase todas as aulas de matemática do cursinho, brigou com o turco e foi embora. Labibe me chamou às pressas. Pediu que eu assumisse tudo. Ao aceitar (depois de uma conversa com o Tomaselli, que me liberou), eu ficava com um curso de engenharia para terminar, um vestibular de filosofia pela frente e aulas todas as noites, algumas manhãs e – last but not least - todos os domingos de manhã. Mas, aos vinte e dois anos, a gente faz isso aí e ainda sobra tempo.
Quando terminei engenharia e entrei na Faculdade de Filosofia da USP, fui morar na rua Maria Antonia, que era o centro do universo, pelo menos para os estudantes e revolucionários de São Paulo. E assumi todas as aulas de Matemática do CAPI Vestibulares.
O diretor do CAPI era o Farina. Devia ter seus quarenta e poucos anos, mas pra mim, que tinha vinte e três, parecia um ancião. Mas ancião que topava encarar nossa vida de boemia. Eu dava aulas desde as sete da manhã (às vezes, marcávamos aulas extras às seis) até a hora do almoço. Assistia às aulas de filosofia à tarde e voltava a dar aulas à noite. Lá pelas onze e tanto, depois da última aula, íamos todos jantar. Era o melhor do dia. Comíamos e, principalmente, bebíamos e conversávamos. Ninguém ia dormir antes das duas. Jamais.
Um dos nossos assuntos prediletos era o cursinho. Todo mundo metia o pau no turco. E bolávamos receitas de como o cursinho poderia ser uma maravilha, não fosse a toupeira do dono. De facto, Labibe não era – propriamente – um cara que tivesse uma visão arrojada de seu próprio negócio. O prédio em que ficava o cursinho era, além de velho, escuro, baixo astral. As apostilas dos cursos eram horrorosas, mal feitas e de apresentação pra lá de sofrível. O nome do curso era, com o perdão da má palavra, Centro de Aperfeiçoamento e Preparação Intelectual (daí a sigla CAPI). O símbolo gráfico, digamos assim, era uma reprodução do Pensador. Tudo terrivelmente kitch.
Lá para o final de 1.968, comecei a incitar o Farina a fazer algo novo.
- Sugere ao turco que pinte o prédio com cores alegres, faça apostilas bonitas, coloridas. Que ponha anúncios decentes nos jornais.
Parêntesis: o Labibe achava que, quando pagava um espaço publicitário na imprensa, precisava aproveitar bem o espaço pago. Acontecia, então, que ele comprava uma página inteira da Folha de S.Paulo (que custava o preço de um Fusquinha zero) e enchia tanto a página de textos, letra miúda, que aquilo ficava parecido a um caderno de classificados.
O Farina reagiu à minha provocação:
- Eu cutuco o turco, desde que você tope me ajudar.
- Fechado.
Dia seguinte, Farina chega sorrindo:
- O turco topou. Vamos montar um curso Intensivo, só dezembro e janeiro, como teste. Se der certo, maravilha.
Passei a trabalhar mais de vinte horas por dia. Muitas vezes, dormia umas três horas em um sofá que havia na secretaria do cursinho.
Foi um dos mais deliciosos trabalhos que realizei na vida. Selecionamos um time fantástico de professores, fizemos apostilas caprichadas, e – glória a deus nas alturas – colocamos um anúncio de página inteira na Folha só com o novo logotipo do CAPI (uma obra-prima que achamos enterrada em uma gaveta qualquer) e o endereço, chamando pra matrículas no Intensivão. Noventa por cento da página em branco. O turco quase teve um infarto.
Primeiro dia de matrículas, fila na porta do prédio.
O curso Intensivo foi um fenômeno. Gente saindo pelo ladrão. Professores de primeira, apostilas perfeitas. Vez em quando, cancelávamos alguma aula, levávamos os alunos pro auditório, passávamos um filme e o Álfio Beccari comentava o dito cujo. Foi assim que os alunos assistiram, por exemplo, a Os Companheiros (eu, assisti umas dez vezes ao filme).
Resultado: visto o faturamento, o turco me convidou pra ser diretor do cursinho, junto com o Farina.
Preparamos os cursos regulares de 1.969 com o maior capricho. Primeiro dia de aulas, todas as salas (agora pintadas em cores alegres) cheias de alunos. Labibe me chama até a sala dele. Pede que eu assine um papel qualquer em branco (nem me lembro do que se tratava, mas era alguma maracutaia). Disse que não assinava. Ele me demitiu. Sumariamente.
Desci até a sala dos professores, que começavam a chegar para o primeiro dia de aulas.
Disse aos que lá já estavam que tinha acabado de ser demitido.
Ítalo Tronca e Ricardo Maranhão, jornalistas e professores de História, não se conformaram. Reuniram todos os professores e subiram pra falar com Labibe.
- É verdade que você demitiu o SP?
- É. Ele não me obedeceu. Eu o demiti.
- Mas você pediu a ele algo ilegal.
- Não volto atrás. Ele está demitido.
- Então, todos nós pedimos demissão.
- Vocês não podem fazer isso.
- Ou você desiste da demissão do SP ou nós saímos. Todos.
- Não volto atrás.
- Então, estamos fora.
Todos – eu disse todos – os professores foram embora. Labibe teve de ir de sala em sala, explicando o inexplicável aos alunos. Pediu um tempo para recompor o quadro docente. Com isso, é óbvio, perdeu quase todos os alunos. Só veio a se reerguer um tempo depois. Parcialmente, diga-se.
Um ano depois, um dos professores daquela turma inesquecível me procurou pra perguntar se eu tinha alguma objeção a que ele retornasse ao CAPI.
Claro que não tinha. E jamais vou esquecer esse grupo.
Apenas eu não sabia – ainda bem! – que isso ia ocorrer apenas uma vez na minha vida. Nunca mais tive tal manifestação de solidariedade por parte de um grupo.
Coisas assim já não existem. Por essas e por outras, tenho orgulho da minha geração.
Desconfio que, apesar de termos feito muita merda, vivemos emoções desconhecidas no mundo de hoje.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

De amadores e de profissionais


Uma aguardente feita em Passos, particularmente por meu primo Alípio Nunes, é uma bela expressão de amor. É realmente coisa de amador. No melhor sentido do termo.
vai um bagacinho?(o rótulo é invenção minha. Lá eles não têm essas frescuras.)

Já os mosquitos, aqui em São Paulo, entraram para a categoria dos profissionais. No pior sentido do termo, claro, claro.
mosquito sarado, esse

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Restaurantes - Bragança


Em Bragança, apesar de tratar-se de cidade com menos de quarenta mil habitantes, há muitos restaurantes. E vários muito bons.
O Solar Bragançano fica na Praça da Sé, centrão, e é sofisticado. Foi lá que a baixinha aprendeu a fazer musse de castanhas. Ordisi Raluz e Branco Leone, com respectivas, parece que gostaram.
O Geadas é tido como bambambam, mas é um pouco pra-turista demais, pro meu gosto.
Do outro lado do rio, em relação ao Geadas, come-se comida caseira gostosa, barata e servida com simpatia e descontração doméstica, no Fervença (que, não por acaso, é o nome do rio).
Mas o prêmio SP vai pro Gôndola:

Cozinha impecável, na primeira vez que lá entramos pensamos que iríamos pagar os tubos. Ledo engano. O prato do dia fica em 7,5 euros por cabeça (coisa de uns vinte reais) e te dá o direito a:
couvert/ sopa / prato principal / sobremesa / vinho bom / café.
Isso no almoço. No jantar, se não me falha a memória, custa uns 8,5 euros.
Além disso, o Gôndola também é pizzaria. Das boas.
Chega que já tá me dando fome.